Quanto mais a tecnologia evolui parece que ficamos cada vez mais expostos. Dados confidenciais não podem ser considerados mais seguros em nenhum dispositivo eletrônico, seja este móvel ou não. Mas pelo menos podemos ficar tranquilos quanto aos dados em nossos cérebros, correto? Sim, mas não por muito tempo.

Pesquisadores de Oxford, UC Berkeley e da Universidade de Genebra foram capazes de extrair números do cérebro de voluntários num experimento realizado recentemente. Dados como senhas de banco, mês de nascimento, CEP e outras informações pessoais foram extraídos apenas apresentando imagens associativas aos participantes enquanto estes estavam conectados a um aparelho de eletroencefalograma. Os pesquisadores disseram que conseguiram com sucesso hackear senhas de banco de alguns usuários apenas apresentando-lhes imagens de caixas eletrônicos, cartões de crédito e os dígitos de 0 a 9 em uma sequência rápida.

Os autores da pesquisa afirmam que isso pode ser um problema caso aparelhos capazes de monitorar as ondas cerebrais se tornem populares nos próximos anos. Um exemplo concreto é o EPOC Emotiv, um dispositivo portátil que permite a leitura e interpretação das ondas cerebrais, fornecendo uma interface para os desenvolvedores criarem aplicativos que usem os dados coletados e interpretados pelo dispositivo. Outros dispositivos semelhantes já podem ser encontrados no mercado para uso comercial e prometem revolucionar a maneira como interagimos com os games. Um futuro em que os jogos serão uma experiência de imersão completa sem a necessidade de controles está próximo. Basta apenas pensar e o aparelho é capaz de interpretar comandos e até mesmo as emoções do jogador.

Esse cenário abre possibilidade para vários problemas em potencial. O pesquisador Mario Frank da Universidade de Berkeley disse que uma vez que um aplicativo que utiliza esta tecnologia ganha a confiança do usuário, ele poderia então apresentar ao usuário uma série de imagens e outros estímulos destinadas a evocar certas informações, como senhas bancárias e números de cartão de crédito.

Mario Frank conclui “Você pode usar diversos aplicativos de terceiros com esses dispositivos. Neste cenário, como pesquisadores, identificamos que há um potencial de fazer diversas coisas ruins, transformando esta tecnologia numa arma contra o usuário”.

Fonte: Wired