Quando o Google estabeleceu a marca dos seus próprios smartphones sob o nome Nexus, o objetivo foi estabelecer as tendências da indústria que fabricantes como HTC, Samsung, LG, Motorola e outros, poderiam seguir. Agora, com o mercado de smartphones amadurecendo, o Google está focando sua atenção no mercado de tablets para concorrer com iPad da Apple, líder de mercado, e o simpático Kindle Fire da Amazon, que usa uma versão do próprio Android e custa também meros US$ 200.

Para isso, o Google lançou o seu próprio candidato por US$ 200 na forma do Nexus 7, um tablet de 7 polegadas contando com um display de 720p HD, processador quad-core e uma experiência que promete que o dispositivo vai estar entre os primeiros a receber futuras atualizações diretamente do Google. No entanto, será que o Nexus 7 vai servir mesmo de exemplo para outros fabricantes ou vai inibir que outros entrem na corrida dos tablets?

Verdadeiro custo

Não há como negar que o 7 Nexus acertou muito. No entanto, seu preço, embora atraente para os consumidores, pode impedir a entrada ou a continuidade de outros fabricantes no mercado de tablets. De acordo com um relatório recente do Wall Street Journal, uma análise dos custos de produção do Nexus 7 mostra que a despesa do Google para construir o tablet é de aproximadamente US$ 152. Adicionando despesas de marketing, transporte e embalagem o custo do tablet fica por volta de US$ 200 e Google o está vendendo praticamente sem lucro direto com o hardware.

Nexus 7 a preço de custo é prejudicial para os fabricantes

Como o Google não é uma empresa de hardware e a maior parte de sua receita vêm de serviços, a estratégia de venda do Nexus 7 a preço de custo ainda é muito benéfica para a empresa. O Google tira seus lucros através de impressões de publicidade quando os usuários pesquisam na web e através da venda de conteúdo digital através do Google Play. Estratégia essa semelhante à que a Amazon está empregando com seu Kindle Fire, que ao invés de usar o Google Play, tem a sua própria loja digital de música, programas de TV, filmes, livros e revistas digitais e outros conteúdos que geram lucros pós-venda. No entanto, os fabricantes de hardware como HTC e Samsung, podem não ter condições de seguir a mesma estratégia de lucros através de vendas digitais após a compra do aparelho. Portanto, não faria sentido para essas empresas competir com Google e Amazon no preço de US$ 200.

Mudança de estratégia

Para os fabricantes conseguirem continuar na competição do mercado de tablets, seria necessário criar novos fluxos de receita. Isto significa que a Samsung, HTC e outros fabricantes podem ter de criar ou expandir suas ofertas de conteúdo digital. A HTC já tem sua própria loja de conteúdo digital de TV e vídeo através de um app chamado HTC Watch, que já é encontrado em tablets e smartphones da empresa. A Samsung tem o seu próprio Media Hub, Reader Hub (para e-books e revistas) e outros centros de conteúdo digital onde pretende gerar dinheiro.

Num futuro próximo, com o mercado de tablets Android competindo em preço ao invés de recursos, vamos começar a ver cada vez mais o crescimento dessas lojas digitais especializadas.

A fragmentação pode ser necessária

Com o crescimento da plataforma Android, a fragmentação parece inevitável. Ao invés de ficar com o Google e o Google Play, os principais fabricantes de hardware para Android podem começar a criar versões especializadas do sistema operacional para atender às suas necessidades e isso significa acesso às suas próprias lojas pelos aparelhos. A Amazon já fez isso com o Kindle Fire e vemos poucos traços do Android no sistema resultante. É como se a Amazon tivesse criado seu próprio sistema operacional usando o código do Android. No futuro, provavelmente é isso que vamos ver da HTC, Samsung, LG e outras.

Em vez de pensar em experiências fragmentadas do Android, como fazemos hoje, o mercado de tablets do futuro pode nos obrigar a pensar sobre sistemas operacionais individuais de diferentes fabricantes. Ao invés de agrupar tudo sob o guarda-chuva do Android, o que causaria uma fragmentação, o mercado Android pode ter que se dividir em sistemas operacionais diferentes para cada fabricante e uma codificação adicional deve ser necessária para a compatibilidade com cada novo sistema.

Android foi construído com a flexibilidade para expansão

Se os consumidores demandam competição, esta pode ser uma solução fácil e imediata para os fabricantes Android competir no mercado de tablets. Os preços já estão atingindo o mínimo para um tablet premium high-end quad-core em US$ 200. Para se manter no mercado, poderemos precisar repensar o que significa o Android ao invés da definição comum de “Google experience”. Os fabricantes de hardware também precisam pensar de maneira prática como se manter competitivos para permanecer no mercado.

Fonte: Gottabemobile